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ste professor da Unicamp é especialista em Kant, Heidegger, e epistemologia da psicanálise. Na área do kantismo as suas contribuições mais importantes foram a sua tese doutoral "Scientific Problem-Solving in Kant and Mach", o artigo "The Logical Structure of the First Antinomy", aparecido na revista Kant-Studien no. 3 de 1990,
e os artigos sobre semântica transcendental "Kant's Philosophical
  Method (I)" (em Synthesis Philosophica, no. 2, 1991), e "Kant's Philosophical
  Method (II)" (em Synthesis Philosophica, no. 1, 1992). Todos esses são estudos
  valiosos, abordando temas variados na área do Idealismo Transcendental, em diá-
  logo constante com os autores contemporâneos, e propondo interpretações e
  soluções originais.
 
  Entretanto, gostaria de me referir aqui a uma de suas teses, formulada no artigo
  "Kant e o Ceticismo", que aparece na revista Manuscrito, da Unicamp, em 1988.
  Ali Loparic trata de demonstrar que a "Semântica Transcendental", nome pelo qual
  o autor designa o Idealismo Transcendental por entender que a filosofia kantiana
  não é senão uma "filosofia da linguagem", não está em oposição ao ceticismo,
  no sentido de se tentar eliminá-lo ao dar novos fundamentos para a metafísica.
  Na realidade, Kant não teria erradicado o ceticismo mas sim o teria radicalizado
  ao máximo. Pois precisamente na radicalização do ceticismo humeano e da dúvida
  cartesiana é que residiria a domesticação definitiva da descrença epistemológica.
  Desta maneira, ao contrário de Apel, Loparic quer nos fazer ver que Kant não nos
  trouxe um novo fundamentalismo mas demonstrou a impossibilidade total de todo o
  fundamentalismo filosófico no domínio do conhecimento humano.
 
  Como é isso?
 
  Para Kant, o ceticismo desperta a prudência da razão, e serve para disciplinar o
  raciocínio. Com ele nós aprendemos que todos os fundamentos do conhecimento
  estão minados e não há em parte alguma qualquer certeza ou confiança.
 
  No entanto, não se deve ficar parado nesta constatação, como a desfrutar da indife-
  rença trazida pelo estado mental da ataraxia. É preciso seguir adiante. E Kant
  estabelece uma ciência geral sobre o alcance máximo do nosso poder cognitivo
  ou dos limites externos da nossa razão. Essa ciência seria fundada em máximas
  firmes e de comprovada universalidade. Neste sentido, passaríamos da censura da
  razão para a sua crítica: uma maneira de determinar quais tipos de questões
  necessárias da razão pura admitem solução e quais não a admitem. O problema da
  Crítica seria, então, o problema da decidibilidade. É claro que a solução da Crítica
  é a de que os conhecimentos chamados "objetivamente válidos", isto é, aqueles aos
  quais temos acesso por meio da experiência, são os únicos a que podemos chegar
  a uma decisão.
 
  A Razão, portanto, não se restringe mais à constatação da sua ignorância, mas
  avança até o seu autoconhecimento. Estes são os limites intransponíveis dentro
  dos quais é possível chegar-se a algum conhecimento objetivo. O autoconhecimento
  dos princípios filosóficos a priori cujo alcance é a experiência, a esfera das intuições
  puras e empíricas. Por isso, para a Razão apenas as perguntas que se utilizam de
  conceitos intuitivamente significativos podem ser respondidas.
 
  Desse modo, o Idealismo Transcendental nada teria de incompatível com o ceti-
  cismo. Entretanto, iria mais além dele, ao transformar a certeza da nossa ignorância
  no autoconhecimento de um domínio de legislação autônomo dentro do qual podemos
  chegar aos conhecimentos decidíveis.
 
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