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   Quase toda tradição filosófica importante tem
   os seus seguidores, sua discussão histórica,
   e suas renovações em termos de novas
   abordagens atualizadas. Assim é também
   com a tradição kantiana. Houve, já desde
   a primeira edição da Crítica da Razão Pura,
   muitas reações e contra-reações ao
   idealismo transcendental, o que se
   seguiu durante todo o final do século XVIII,
   passando depois pelo Romantismo Alemão,
   e "reformuladores" da filosofia kantiana,
   até o final do século XIX e começo do XX.

 
   No entanto, outras grandes correntes
   filosóficas estabelecidas e firmadas no
   século XX, a renovação da física e da
   matemática, e um sem número de fatores
   históricos acabaram por deslocar os holofotes
   desta tradição filosófica em particular para
   acentuar outras espécies de pensamentos
   como, por exemplo, a fenomenologia, o
   existencialismo, o marxismo, a filosofia
   analítica, para citar apenas as mais
   marcantes.
 
   Nenhuma dessas correntes deixa de ter
   uma herança genética kantiana, obviamente.
   Contudo, já nesta etapa não tratamos mais
   de parentesco de primeiro grau, senão
   de formas de pensamento distintas com
   preocupações diferentes.

 

   Porém, nestes últimos decênios do século,
   estamos presenciando novamente intentos
   de releitura do Idealismo Transcendental
   através da filosofia da linguagem. Nestas
   renovações, naturalmente, há um diálogo
   intenso com as distintas correntes
   filosóficas atuais, mas principalmente com
   a filosofia analítica. Testemunha disso é um
   livro bastante conhecido, com a contribuição
   de vários autores, chamado Transcendental
   Arguments and Science
. BIERI, P., HORTSMANN,
   R.-P., KRÜGER, L. (eds.). Kluwer Academic
   Press, 1979, onde autores pro e contra dão
   os seus pareceres sobre o estado atual da
   abordagem transcendental da filosofia.

   Um outro livro importante, Kant's
   Transcendental Idealism
, Yale U. Press,
   1983, de Henry Allison, também apresenta
   um panorama da presente situação dessa
   discussão, no seu capítulo introdutório.
 
   Os trabalhos de Karl-Otto Apel e de Zeljko
   Loparic estão inseridos neste amplo contexto.
   O que vocês verão a seguir é uma breve
   exposição do pensamento de ambos os
   autores e algumas indicações conclusivas.
 
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