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ste autor trata as condições de possibilidade do conhecimento e da ética como dadas na
"argumentação". Isto é, as condições transcendentais sem as quais não há conhecimento válido
nem possível, bem como os princípios normativos transcendentais
da ética, são as condições de validade
que antes de pertecerem a uma consciência
individual já estão dadas na
própria linguagem.
A linguagem, portanto, é entendida aqui pragmaticamente como "ação
comunicativa
entre interlocutores".
Com esta proposta, Apel deseja deslocar
o paradigma kantiano da consciência
transcendental para o plano da
linguagem, onde as condições epistêmicas e éticas
de possibilidade passam a figurar no patamar do "sentido
lingüístico", que é "público"
a priori, e não
mais "individual" ou, mais claramente, "solipsista", tal como poderia levar
a pressupor o paradigma tradicional da "consciência".
Para o autor, com este movimento
nós escapamos do solipsismo do paradigma kantiano.
Poderíamos então demarcar o
"a priori" dentro do espaço do consenso último de uma comunidade ideal de
comunicação.
O argumento transcendental de Apel é também um argumento
"pragmático", no sentido
de que ao falarmos do a priori
lingüístico, estamos nos referindo a uma "ação
comunicativa". Numa ação comunicativa pode-se virtualmente
realizar um acordo entre
locutor e auditor referente ao sentido de uma
argumentação, o que por sua vez significa
a formação de um consenso entre ambos o qual é regido
por determinações semânticas
previamente estabelecidas por convenção por
uma comunidade ideal de comunicação.
Em todo argumento nós
temos, diz-nos Apel, uma dupla estrutura, que são o conteúdo
proposicional referente ao sentido literal daquilo que está sendo
dito, e o conteúdo
performativo referente ao sentido que o objeto
da enunciação adquire através da ação
que está sendo encomendada pela pretensão de validade das
expressões performativas.
Segundo tais parâmetros, num enunciado
do tipo "não há verdades", está-se cometendo
uma autocontradição proposicional-performativa. O enunciado afirma
com pretensão de
verdade precisamente a negação da sua
ação performativa. O conteúdo performativo é
uma pretensão de verdade universal, e o conteúdo proposicional
é a negação de que
haja alguma verdade.
Pelo fato de
estarmos condicionados aprioristicamente a convenções
lingüísticas sem
as quais nossas frases e ações
não fazem sentido, Apel nos fala de uma "fundamenta-
ção última", que aparece no plano semiótico-transcendental.
Através da evidência transcendental de uma fundamentação
última é que podemos
traçar, por exemplo, os limites da epistemologia
e da ética. Princípios ou métodos
epistemológicos tal como o Falibilismo Popperiano ou o
"Racionalismo Pancrítico"
de W. W. Bartley III, H. Albert e G. Radnitzky, por exemplo,
não devem ser regidos
pela máxima de que "tudo deve ser submetido à crítica, inclusive
o próprio princípio de
que tudo deve ser submetido à crítica", porque isto levaria
à autocontradição performativa.
O Falibilismo, diz-nos
Apel, também é regido por um limite máximo de ação e de
discurso além do qual ele não pode ir: uma Fundamentação
Última.
Seria, no entanto, correto pensar que condições
a priori de possibilidade do
conhecimento nos levariam a uma
"fundamentação" contraposta, por exemplo, a um
falibilismo radical? Clique no botão "Loparic", acima, para prosseguir.
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